IMAGENS UNIVERSAIS DO PAÍS NATAL (leia na íntegra)

"... a obra de A. Rosalino se oferece como um espetáculo vivo intimamente relacionado às fontes que o inspiraram, de maneira que o espectador é convidado a viajar tanto pela realidade social – recriada pelo artista – quanto pela sua trajetória de aperfeiçoamento técnico. Por isso, nos deparamos com uma obra que privilegia o conhecimento das culturas locais e a busca de um estilo pessoal mediante a perspectiva de renegociação dessa fronteira. Isto é, os sentidos das culturas locais e do estilo pessoal se realizam quando pensados no horizonte das diversidades culturais e das possibilidades de sentidos que os espectadores podem atribuir à obra de arte."

"... a obra do artista se apresenta e se doa aos espectadores num gesto amoroso de convivência, propondo um enigma sutil: que os convidados venham e admirem as imagens mas percebam, acima de tudo, que toda viagem implica um risco para quem deseja ter o conhecimento do mundo. Isto é, o país natal não está pronto, sua criação é constante. O artista iniciou a provocação, que os espectadores também se insinuem dentro das imagens, entregues ao exercício da inteligência e da sensibilidade.

Edimilson de Almeida Pereira
Dr. Professor da UFJF, escritor e poeta.
Membro da Comissão Mineira de Folclore.


PRIMITIVO OU ARTE NAÏF

“ O gênero Primitivo explora temas de cultura popular e difere-se do erudito, justamente, porque não trabalha com conceitos intelectualizados de arte e natureza estabelecidos pela cultura ocidental.
As idéias do artista que optaram por este segmento é utilizar elementos de sua terra, raízes do seu país, o cotidiano das pessoas.
As cores fortes e traços figurativos expostos nos quadros do artista primitivo se aliam à liberdade de expressão que ele imprime na tela, reinaugurando o cosmos diante dos olhos do observador que vê, instaurada, a vitalidade entre o sagrado e o lúdico. Na arte primitiva, a interpretação está aberta a múltiplas visões do mundo.
Como a temática central deste gênero recai sobre a arte popular, nas relações do cotidiano, e do imaginário popular, se torna clara a proposta de celebrar a vida em suas múltiplas imagens, através do movimento, da cor e da luminosidade impressos nos quadros.”

Lélia Coelho Frota
crítica de arte
Jornal Pró-Música ( Juiz de Fora MG)


MISSÃO:

“É perpetuar os valores culturais do povo brasileiro, relatando de modo particular as cores, as pessoas, os lugares, os folguedos, os santos, as procissões, o realismo do cotidiano simples e puro, das festas folclóricas.” Mari´Stela Tristão
crítica de arte
Membro da AICA e ABCA

“ A obra pictória deste NAÏF é caracterizada pela pesquisa de motivos históricos-sociais que são reinterpretados pela temática, pela técnica, bem como a liberdade de criação permitida aos primitivistas e ingênuos. Talento e sensibilidade são um must no conjunto do jovem artista. Além disso, ele nos remete aos conhecidos do gênero ... , passando a integrar o elenco dos principais primitivistas mineiros.”

Morgan da Motta
crítico de arte
Membro da ABCA e AICA


“Alexandre Rosalino, é um artista popular, desprovido das metodologias da erudição, ou seja, que tem um trabalho livre, preocupado com a verdade de suas propostas, de seus sentimentos, de sua emoção. Além de ser, ele próprio, um artista popular, Alexandre tem esta característica também na temática de suas obras: enfocando a vida cotidiana, o folclore, as tradições populares do país.
Embora seja um artista ingênuo, Alexandre tem técnicas bem definidas, usa a cor e a divisão do espaço de forma vigorosa, recriando, assim, a luminosidade e o movimento tão presentes em nossa realidade e gerando perspectivas inovadoras, sugestivas. Seus quadros são alegres, de uma beleza extraordinariamente rara para um artista tão jovem - o que nos alerta para sua maturidade profissional. Sua obra nos convida à reflexão de nossa identidade cultural, de nossa vida e de nossos valores; além de nos fazer pensar sobre a própria Arte em si: no quanto a opção pela liberdade de técnicas pode contribuir para um trabalho profundamente comprometido com a emoção, sem deixar de ser rigorosamente comprometido com a qualidade.”

Daniele T. Cordeiro
Museóloga

ALEXANDRE ROSALINO - A ARTE DA VIDA

“A obra de Alexandre Rosalino é um convite ao conhecimento do mundo. De um que se revela parte de nós à medida que o reconhecemos através da sensibilidade e da reflexão.
As formas e cores, sons e movimentos presentes na obra do jovem artista ultrapassam os limites da regionalização, uma vez que são procedentes de ritos e modos de vida a um só tempo locais e universais.
São os ritos do homem na busca da compreensão de si mesmo e do outro. São os modos de organização da vida que nos permitem desenvolver e transmitir diferentes ordens de saber.
Alexandre Rosalino trata a realidade como força estimuladora de outras sensações. Diante de suas imagens temos o privilégio de sentir/pensar a realidade, mas cientes de que a mesma ganha contornos moldados pelas mãos do artista.
Aspecto comovente na obra de Alexandre Rosalino é a plena realização dos impulsos de vida -- ainda que, por vezes, as imagens sejam da diluição do homem e de seu mundo. Isto porque ao espírito jovem mais impressiona o existir das coisas do que a sua negação. É desse impulso que se nutre Alexandre Rosalino, compartilhando conosco o desafio de sobreviver às angústias maiores. Por isso, em seus quadros há conversas, gestos, músicas, danças, espaços enfeitados -- sinais, enfim, de quem busca e celebra a vida.

Juiz de Fora, inverno de 1998.
Edimilson de Almeida Pereira
Professor da UFJF, escritor e poeta.
Membro da Comissão Mineira de Folclore.


BRASIL POR BRASIL DE ALEXANDRE ROSALINO

"Ao entrar em contato com a obra pictórica de A.Rosalino, somos levados à uma viagem por um mundo repleto de sentimentos e emoções. Sentimos o artista plenamente situado nas imagens cotidianas reveladas por pessoas em ação, em movimento, gesticulando, conversando, cantando e dançando, tornando seus quadros uma janela aberta para a vida Esse situar-se, que o faz “ver” e “sentir” o mundo, nos levou a refletir sobre o ensaio “Casa, Rua & Outro Mundo: reflexões sobre espaço e sociedade”, de Roberto da Mata.(1)

A.Rosalino, nascido em Belo Horizonte, em 1972, nos conta que começou desenhando as histórias que seu pai contava sobre seus antepassados e relação dele com o congado, quando, ainda, menino, sua família foi morar em São Roque ( SP ). Nesta cidade do interior paulista, onde morou e estudou, até retornar a Belo Horizonte em 1992, conheceu o modo de vida de imigrantes italianos e japoneses, o que estimulou seu interesse pela busca das tradições de sua gente, presentes nas histórias contadas por seu pai.

O intenso convívio familiar durante a estadia em São Roque o marcou profundamente, levando-o a pensar sua arte como uma forma de mostrar as tradições dos tempos de seus avós, por medo de que as gerações mais novas não conheçam as coisas do Brasil, e assim as interpreta por meio da código da casa ou da família, apontado por Roberto da Mata, que é visceralmente vinculado a tradição. A tela “A Costureira”, sua mãe, é um exemplo claro dessa leitura, quando ele a traduz “costurando um pensamento”, num cenário fascinante, onde não falta nada do que se encontra numa casa simples de uma família do interior, incluindo a mistura dos ambientes.

O retorno de A.Rosalino à Belo Horizonte, sua cidade natal, foi marcado pela opção de não cursar a Faculdade de Medicina em São Paulo para ficar com seu pai, que contraíra uma doença terminal: “foi a melhor opção de minha vida”. Nesse momento, numa viagem à Bahia, conhece o Pelourinho que o encanta com sua gente e suas cores e decide que vai pintar a beleza daquelas imagens que seu olhar fotografara em sua retina. O olhar do artista acrescenta à interpretação do cotidiano o código da rua, “que está aberto ao legalismo jurídico, ao mercado, à história linear e ao progresso individualista”.(2)

Assim, A.Rosalino com suas telas, que são marcadas pela simplicidade, pelos detalhes das coisas que a gente vê acontecer todo dia mas não percebe, pela exuberância das cores, retrata os lugares, o prazer, a alegria e o trabalho de sua gente, como gosta de dizer.

Identificamos, ainda, um terceiro código, que Roberto da Mata aponta como o código do outro do mundo, “que focaliza a idéia de renúncia do mundo com suas dores e ilusões e, assim fazendo, tenta sintetizar os outros dois. Os três códigos são diferenciados mas nenhum deles é exclusivo o hegemônico. Na prática um deles pode ter a hegemonia sobre os outros, de acordo com a categoria social a qual a pessoa pertence.”(3)

De fato, A.Rosalino ora parece tender a tornar como hegemônico o código da rua ou da família, expondo forte influência familiar sobre seu trabalho quando pinta a casa como espaço do aconchego, do descanso, da solidariedade, ora toma o espaço da rua em cenas repletas de fluidez e movimento, com sua figuras humanas, casas, vilas, campos, festas folclóricas e populares.

De uma forma ou de outra, o que importa é que A.Rosalino, um autodidata que vai buscar a imagem e a “reinterpreta” com toda carga de seus sentimentos e que faz do “ouvir os mais velhos” uma das suas principais fontes de pesquisa, nos contempla com uma obra pictórica que encanta pela suavidade de seus traços e o conteúdo de suas cenas.

A arte, para A.Rosalino, tem sido um modo expressivo de viver tanto como processo de criação individual quanto como meio de compreensão da realidade social que o envolve.

O artista A.Rosalino afirma que: trabalha por um tipo de necessidade que o aflige mais imediatamente na medida em que retira da atividade pictórica os recursos de sua sustentação financeira. Porém, outra necessidade, de natureza ampla, o leva a ver a atividade artística como forma privilegiada de entendimento das representações humanas. Diante disso, o trabalho se revela para ele como um constante aprendizado. Aprendizado de sua individualidade e da individualidade do Outro Aprendizado das técnicas antigas e contemporâneas da pintura. Aprendizado da dinâmica que multiplica as linguagens através das quais os homens se comunicam. O ser artista, portanto, não lhe parece um estado a priori . Parece algo dinâmico, algo que está sendo construído no fluxo da experiências individuais e coletivas. Daí sua paixão pelo estudo, pela reflexão, pela elaboração dos sentimentos que pulsam como linguagem de seu tempo a serem aprendidas e multiplicadas.

Dessa forma, A.Rosalino, com apenas 27 anos, tornou-se um brilhante profissional, trabalhando com pintura a óleo sobre tela, recebeu significativos elogios de críticos importantes como Lélia Coelho Frota, Mari’Stela Tristão e Morgam da Motta e conquistou a mídia que consagrou um trabalho marcado pelo compromisso com o sentimento e a emoção e que prima pelo rigor do comprometimento com a qualidade.

Identificado como um pintor do gênero primitivo ou naïf (i), diz-se popular: “ minha função é pintar a alegria”. Assim é o mundo de A.Rosalino que, sem sombra de dúvida, pinta a poesia de viver. "

Cesar Baía *


Mineirinho
"Alexandre Rosalino é mineiro e de origem bem humilde, mas sua arte já ultrapassou fronteiras e está exposta na Grécia, Alemanha, Argentina, Inglaterra, França, EUA, Itália e Espanha. Especializado em pinturas naïf, ele acaba de fechar uma parceria com a Natura e é o responsável pelas imagens em todos os estojos e materiais gráficos da linha da empresa, feita para o Dia das Mães. Rosalino é desenhista publicitário, formado em joalheria e web design e tem como fonte inspiradora o cotidiano do interior mineiro. No Rio, seu trabalho pode ser encontrado no Museu do Folclore, no Catete."

Heloisa Tolipan
JB OnLine


Alexandre Rosalino - Artista Plástico
telefone: +55 21 8895.2937 / +55 21 2239.2937 e-mail: contato@arosalino.com Rio de Janeiro - RJ / Brasil

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