Críticas à A.Rosalino
sexta-feira, 13 de maio de 2011
BRASIL POR BRASIL DE ALEXANDRE ROSALINO
“Ao entrar em contato com a obra pictórica de A.Rosalino, somos levados à uma viagem por um mundo repleto de sentimentos e emoções. Sentimos o artista plenamente situado nas imagens cotidianas reveladas por pessoas em ação, em movimento, gesticulando, conversando, cantando e dançando, tornando seus quadros uma janela aberta para a vida Esse situar-se, que o faz “ver” e “sentir” o mundo, nos levou a refletir sobre o ensaio “Casa, Rua & Outro Mundo: reflexões sobre espaço e sociedade”, de Roberto da Mata.(1)
A.Rosalino, nascido em Belo Horizonte, em 1972, nos conta que começou desenhando as histórias que seu pai contava sobre seus antepassados e relação dele com o congado, quando, ainda, menino, sua família foi morar em São Roque ( SP ). Nesta cidade do interior paulista, onde morou e estudou, até retornar a Belo Horizonte em 1992, conheceu o modo de vida de imigrantes italianos e japoneses, o que estimulou seu interesse pela busca das tradições de sua gente, presentes nas histórias contadas por seu pai.
O intenso convívio familiar durante a estadia em São Roque o marcou profundamente, levando-o a pensar sua arte como uma forma de mostrar as tradições dos tempos de seus avós, por medo de que as gerações mais novas não conheçam as coisas do Brasil, e assim as interpreta por meio da código da casa ou da família, apontado por Roberto da Mata, que é visceralmente vinculado a tradição. A tela “A Costureira”, sua mãe, é um exemplo claro dessa leitura, quando ele a traduz “costurando um pensamento”, num cenário fascinante, onde não falta nada do que se encontra numa casa simples de uma família do interior, incluindo a mistura dos ambientes.
O retorno de A.Rosalino à Belo Horizonte, sua cidade natal, foi marcado pela opção de não cursar a Faculdade de Medicina em São Paulo para ficar com seu pai, que contraíra uma doença terminal: “foi a melhor opção de minha vida”. Nesse momento, numa viagem à Bahia, conhece o Pelourinho que o encanta com sua gente e suas cores e decide que vai pintar a beleza daquelas imagens que seu olhar fotografara em sua retina. O olhar do artista acrescenta à interpretação do cotidiano o código da rua, “que está aberto ao legalismo jurídico, ao mercado, à história linear e ao progresso individualista”.(2)
Assim, A.Rosalino com suas telas, que são marcadas pela simplicidade, pelos detalhes das coisas que a gente vê acontecer todo dia mas não percebe, pela exuberância das cores, retrata os lugares, o prazer, a alegria e o trabalho de sua gente, como gosta de dizer.
Identificamos, ainda, um terceiro código, que Roberto da Mata aponta como o código do outro do mundo, “que focaliza a idéia de renúncia do mundo com suas dores e ilusões e, assim fazendo, tenta sintetizar os outros dois. Os três códigos são diferenciados mas nenhum deles é exclusivo o hegemônico. Na prática um deles pode ter a hegemonia sobre os outros, de acordo com a categoria social a qual a pessoa pertence.”(3)
De fato, A.Rosalino ora parece tender a tornar como hegemônico o código da rua ou da família, expondo forte influência familiar sobre seu trabalho quando pinta a casa como espaço do aconchego, do descanso, da solidariedade, ora toma o espaço da rua em cenas repletas de fluidez e movimento, com sua figuras humanas, casas, vilas, campos, festas folclóricas e populares.
De uma forma ou de outra, o que importa é que A.Rosalino, um autodidata que vai buscar a imagem e a “reinterpreta” com toda carga de seus sentimentos e que faz do “ouvir os mais velhos” uma das suas principais fontes de pesquisa, nos contempla com uma obra pictórica que encanta pela suavidade de seus traços e o conteúdo de suas cenas.
A arte, para A.Rosalino, tem sido um modo expressivo de viver tanto como processo de criação individual quanto como meio de compreensão da realidade social que o envolve.
O artista A.Rosalino afirma que: trabalha por um tipo de necessidade que o aflige mais imediatamente na medida em que retira da atividade pictórica os recursos de sua sustentação financeira. Porém, outra necessidade, de natureza ampla, o leva a ver a atividade artística como forma privilegiada de entendimento das representações humanas. Diante disso, o trabalho se revela para ele como um constante aprendizado. Aprendizado de sua individualidade e da individualidade do Outro Aprendizado das técnicas antigas e contemporâneas da pintura. Aprendizado da dinâmica que multiplica as linguagens através das quais os homens se comunicam. O ser artista, portanto, não lhe parece um estado a priori . Parece algo dinâmico, algo que está sendo construído no fluxo da experiências individuais e coletivas. Daí sua paixão pelo estudo, pela reflexão, pela elaboração dos sentimentos que pulsam como linguagem de seu tempo a serem aprendidas e multiplicadas.
Dessa forma, A.Rosalino, com apenas 27 anos, tornou-se um brilhante profissional, trabalhando com pintura a óleo sobre tela, recebeu significativos elogios de críticos importantes como Lélia Coelho Frota, Mari’Stela Tristão e Morgam da Motta e conquistou a mídia que consagrou um trabalho marcado pelo compromisso com o sentimento e a emoção e que prima pelo rigor do comprometimento com a qualidade.
Identificado como um pintor do gênero primitivo ou naïf (i), diz-se popular: “ minha função é pintar a alegria”. Assim é o mundo de A.Rosalino que, sem sombra de dúvida, pinta a poesia de viver. ”
Cesar Baía *
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